quarta-feira, 3 de agosto de 2016

FAISAL II


O homem que aparece nessa série de selos do Iraque é o rei Faisal II (1935-1958). Ele foi o terceiro e último rei daquele país mesopotâmico, depois que transformou-se em protetorado britânico, por disposição da Liga das Nações, em 1920. O jovem governou de 1939 (quando seu pai, o rei Ghazi, foi morto em um acidente automobilístico. O garoto estava com 3 anos de idade) até 1958, quando foi deposto pelo general-brigadeiro Abdul Karin Kassem Nascido... Já escrevi algo sobre o meu colega de filatelia, Elmo Pingnataro. Também disse que ele sempre chegava as nossas reuniões filatélicas trazendo selos para distribuir com todos os colecionadores. Sim, ele fazia um agradar a cada um dos presentes. Chegava, com sua elegância, sentava, cruzava uma perna e gracejava: “Vou tirar os óculos para ver melhor!” Depois olhava para cada um de nós e anunciava: “Sérgio, trouxe-lhe selos da Polônia! Alciomar, você gosta de cavalos. Aqui temos alguns. Chiquinho, Nova Caledônia. Martins, Nepal. Rosaldo, Natal, aviação e Kennedy. Roberto, fauna. César, tenho alguns ‘árabes’ pra você! Aproveitem enquanto o Braz é tesoureiro!” Um dia, entre os tais selos árabes, me veio alguns com a efígie do Rei Faisal II do Iraque. Exatamente essa série comum, de entre 1954/57. Existem dois tipos de selos: os comemorativos (quando se homenageia alguém, alguma cidade, evento, instituição, etc...) e os “comuns” (que não homenageia nada. Alguns só têm o valor impresso ou a efígie do governante).  Como sempre, fiquei muito contente, olhando os selos que eu ainda não tinha, e comentei sobre a morte desgraçada daquele homem - amarrado pelos pés, atrelado a um jipe, arrastado pelas ruas de Bagdá (fato acontecido em 14 de julho de 1958, quando estava com 23 anos de idade). Muito provavelmente Elmo foi, longe, longe, longe, o homem mais educado que tive o privilegio de conviver por um tempo. Era o que se podia chamar, de boca cheia, um “gentleman”. Sim, no sentido literal da palavra, que em português quer dizer..., cavalheiro. Informando que, o educado aqui é do “verbo” fineza... Mamãe diria: “A caixa da fineza”. Raramente o professor falava algo desagradável sobre alguém.  Eu disse, raramente... E , quando o fazia, mantinha um leve sorriso, para amenizar o “choque” do ouvinte (informando que a moda agora é dizer, “impactar”!). Mas, naquela tarde ele fugiu da regra e, soprando a fumaça do inseparável maldito cigarro, que o matou, para o outro lado, e para cima, olhou os selos e, pacientemente,disse: “Meu amigo, realmente é lastimável, mas, ele fazia pior. E o homem que o derrubou também foi executado anos depois. É o costume deles.” – [chico potengy]

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