O homem que aparece nessa série de selos do Iraque é o rei Faisal II (1935-1958). Ele foi o terceiro e
último rei daquele país mesopotâmico, depois que transformou-se em
protetorado britânico, por disposição da Liga das Nações, em 1920. O jovem governou
de 1939 (quando seu pai, o rei Ghazi, foi morto em um acidente automobilístico.
O garoto estava com 3 anos de idade) até 1958, quando foi deposto pelo
general-brigadeiro Abdul Karin Kassem Nascido... Já escrevi algo sobre o meu
colega de filatelia, Elmo Pingnataro. Também disse que ele sempre chegava as nossas
reuniões filatélicas trazendo selos para distribuir com todos os
colecionadores. Sim, ele fazia um agradar a cada um dos presentes. Chegava, com
sua elegância, sentava, cruzava uma perna e gracejava: “Vou tirar os óculos
para ver melhor!” Depois olhava para cada um de nós e anunciava: “Sérgio,
trouxe-lhe selos da Polônia! Alciomar, você gosta de cavalos. Aqui temos
alguns. Chiquinho, Nova Caledônia. Martins, Nepal. Rosaldo, Natal, aviação e
Kennedy. Roberto, fauna. César, tenho alguns ‘árabes’ pra você! Aproveitem
enquanto o Braz é tesoureiro!” Um dia, entre os tais selos árabes, me veio alguns
com a efígie do Rei Faisal II do Iraque. Exatamente essa série comum, de entre 1954/57.
Existem dois tipos de selos: os comemorativos (quando se homenageia alguém,
alguma cidade, evento, instituição, etc...) e os “comuns” (que não homenageia
nada. Alguns só têm o valor impresso ou a efígie do governante). Como sempre, fiquei muito contente, olhando os
selos que eu ainda não tinha, e comentei sobre a morte desgraçada daquele
homem - amarrado pelos pés, atrelado a um jipe, arrastado pelas ruas de Bagdá
(fato acontecido em 14 de julho de 1958, quando estava com 23 anos de idade).
Muito provavelmente Elmo foi, longe, longe, longe, o homem mais educado que tive
o privilegio de conviver por um tempo. Era o que se podia chamar, de boca
cheia, um “gentleman”. Sim, no sentido literal da palavra, que em português quer
dizer..., cavalheiro. Informando que, o educado aqui é do “verbo” fineza... Mamãe
diria: “A caixa da fineza”. Raramente o professor falava algo desagradável
sobre alguém. Eu disse, raramente... E ,
quando o fazia, mantinha um leve sorriso, para amenizar o “choque” do ouvinte (informando
que a moda agora é dizer, “impactar”!). Mas, naquela tarde ele fugiu da regra
e, soprando a fumaça do inseparável maldito cigarro, que o matou, para o outro
lado, e para cima, olhou os selos e, pacientemente,disse: “Meu amigo, realmente
é lastimável, mas, ele fazia pior. E o homem que o derrubou também foi
executado anos depois. É o costume deles.” – [chico potengy]

Nenhum comentário:
Postar um comentário