quarta-feira, 3 de agosto de 2016

DESCOBRIMENTO DO BRASIL SEGUNDO O POETA PAULO VARELA


O homem da fotografia se chama Paulo Varela. Poeta lá das bandas de Assu. Quando eu for governador do estado do Rio Grande do Norte Sem Sorte e Sem Cultura, tornarei obrigatório, no que ainda restam de nossas escolas, a História do Brasil contada por esses seus versos... Leiam meus amigos, é lindo! – Chico potengy

Em tempo: tentei trazia para a grafia a fonética original como aparece na gravação de sua voz.


DESCOBRIMENTO DO BRASIL SEGUNDO O POETA PAULO VARELA

Dom Manoel de Portugal
Venturoso português
Avisou para Cabral:
“Cuidado com o genovês!
Vai dipressa a todo pano,
Antes que o americano
Tome aquilo de uma vez”.

E Cabral, bom comandante,
Querendo ao rei ser gentil
Atirou-se ao mar distante
Nu vinte e dois de abril.
Quando avistou a terrinha
Disse à Pero: “Vais, caminha.
Vai ver se aquilo é o Brasil!”

E Pero, dando uma oiada
Disse, ao nobre lusitano:
“Ô Cabral, meu camarada
Num pode haver mais ingâno
Tá tudo azul, cor de anil.
Só pode ser o Brasil
Mas vem aí Americano!”

Cabral disse...: “Aí Jesus!
Vamos a Terra Benzê.
Com o nome de Santa Cruz
Prus gringo não se metê
Me sobe ao Monte Pascoal
E diz que a Portugal
O Brasil vai pertencer.”

Porem logo, ao por do sol
Quando a noticia correu
Do mar gritou o espanhol:
“Portuga, o Brasil é meu!”
“Vai por raio que te parta!
Nós já mandamos a carta
Portugal já recebeu.”

Depois de tudo já certo
Confirma o papa, afinal
Que o Brasil foi descoberto
Por Pedro Álvares Cabral
P'acabar cum essa grita
Mandaram inté jesuíta:
“Brasil é de Portugal!”

Napoleão Bonaparte
Piqueno quinem um til
Porem grande, e bom na arte
De manejá um fuzil
Fez dom João Sexto, em Lisboa
Pegar dipressa a canoa
E fugir para o Brasil

E o Brasil muito ganhou
Com a famía imperial
Em pouco tempo ficô
Reino Unido a Portugal
E como os índios eram bravos
Mandaram, chamar escravo
Para o trabalho braçal.

Cunhs’tempo deu a princesa Isabel
Ao negro a libertação.
Eis o retrato fiel
Da maior tapeação
Teve o negro a liberdade
Mas ficou na inanidade
Sem casa, sem lar, sem pão.

E vendo a coisa arrochada
Dom João volta a Lisboa
E disse pufío:
“Pêdo, a coisa aqui
Não tá boa.
Os gringos americanos
Vão ti roubar a coroa.”

E lá no grande palácio
Fica o infante “Pedinho”
Por conta de Bonifácio
Que não teve outro caminho
A não ser lutas e guerras
Pra defender nossas terras
Das invasões dos vizinhos.

E vêno a coisa arrochada
Dom Pêdo apela pra sorte
E puxando a velha espada
Enferrujada e sem corte
Lá nas margens do Ipiranga
Gritou pra uns índios de tanga:
“Independência ou morte!”

E o índio,
Ficou calado
Como quem cala consente
E Portugal, felizmente
Nem ligou para a manobra
Já tinha ouro de sobra
Do Brasil independente.

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