segunda-feira, 25 de julho de 2016

A BICICLETA E O ANJO DA GUARDA


Uma vez li uma analise de um religioso, norte-americano,sobre a autenticidade do versículo bíblico, do livro de Mateus, que diz: “Então Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo Diabo”. Aquele homem questionava com veemência que um Ser Santificado não busca a tentação... O bonitão da fotografia sou eu. Em um dia de 1982, em São José dos Campos, interior de São Paulo. Estou na Praça Afonso Pena, dando as costas para um bonito lugar que eles chamam de “Banhado”. Recentemente eu soube que ali, hoje, é um lugar de muitos condomínios. Pena... Agora me lembrei de Caetano falando da “força da grana, que ergue e destrói coisas belas”... Eu andava, naquela cidade, do Vale do Paraíba, em uma bicicleta. Por três vezes desafiei o Diabo montado na “magrela”. Duas vezes o meu Anjo da Guarda me protegeu. Na última ele me deixou pagar o preço do desafio. Vou contar. Existe um lugar chamado Vila Ema.O Satélite ficava bem mais a frente e uma ladeira, cuja via serpenteava até passar por baixo da Via Dutra, era a ligação entre bairros. Também havia um pequeno riacho. Creio que, até chegar aquele ponto, uns três “s” muito fechados, foi o motivo de minha estupidez. Naquela época o lugar era de mato dos dois lados da estrada. À noite era escuro feito breu. Circulavam poucos carros por ali àquela hora. Uma noite resolvi descê-la em alta velocidade... Hoje penso que escapei de um terrível acidente. Meu Anjo da Guarda me protegeu e eu conclui a “corrida maluca” inteirinho. A Rua Cefeu, onde eu morava, era toda enladeirada e formava uma enorme curva, da direita para a esquerda. Quase um quilômetro de extensão, creio, margeando o Centro Poliesportivo João do Pulo. Depois daquele local esportivo havia um grande buraco, feito pela agua da chuva. Tínhamos de subir aquele enorme barranco para chegar à Rua Castor, do outro lado. Certa vez desci em alta velocidade. Só pelo prazer da aventura. O jovem que me acompanhava ficou bem mais para trás. Ao me aproximar do fim da rua, alguns garotos jogavam bola na calçada. Um deles chutou e a bola escapou em minha direção, batendo no pneu da frente. Capotei violentamente dando, sem exagero, duas cambalhotas no ar até ser jogado na poeira que margeava o asfalto. A bicicleta também, em outra direção, parando no fundo do abismo. Levantei constrangido, mas, sem dores, sem arranhões, sem rasgão na roupa. Simplesmente eu estava inteiro. Os meninos me olhavam petrificados. Peguei a bola e chutei devolvendo. Meu companheiro não acreditava no que via. Nem eu no que me aconteceu. Eu poderia ter morrido aquele dia. No mínimo ficado tetraplégico. Mas, felizmente, meu Anjo da Guarda me protegeu mais uma vez.Também vivo sem nenhuma sequela daquele episódio. Nem uma cicatriz de lembrança. Nada! Uma tarde, voltando para casa, entrei numa “viela”, como fala os paulistas, que dava acesso a rua onde eu morava - Cefeu. Eu costumava, na velocidade que vinha subir uma rampa da garagem da casa vizinha, em diagonal. Acontece que o vizinho havia refeito o muro da casa e salpicado de cimento, que ficou como um ralador. Naquele dia, o pneu resvalou em alguma sujeira, fazendo a bicicleta me jogar de encontro à parede. Num reflexo consegui livrar meu rosto do choque com o muro, mas, meu braço, ficou todo ensanguentado. Alguns dias de dores horríveis, com os ferimentos, me fez ter mais cuidado com a bicicleta. E foi, também, o meio que meu Anjo da Guarda encontrou para me ensinou a colaborar com ele. – [chico potengy]

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