segunda-feira, 25 de julho de 2016

GERALDO PEREGRINO II

Encontrei essas fotos, feitas no ano passado, e confesso que fiquei triste, mas depois riu muito me lembrando de Geraldo Peregrino. Já escrevi sobre ele. Alguns aqui leram. Geraldo Peregrino da Silva foi uma das raríssimas pessoas especiais (o especial aqui é no sentido literal da palavra!) que tive o privilégio de conhecer nesta vida. Esse prédio abandonado era onde funcionava sua oficina, no Bairro da Ribeira - especialistas em Galáxia e Mavericks. “Irmão” Geraldo, como todos nós o chamava,adorava uma frase feita. Quando alguém não o entendia, ele dizia: “Esse sujeito está mais por fora do que dedo de franciscano”. Ou então: “Esse está mais por fora do que língua de cachorro cansado”. Quando alguém não acertava, dizia: “Esse aí está mais enrolado do que bobina de Ford 68”... Era suas pérolas quase que diariamente. Ele fava muito serio e eu morria de rir. Felizmente nunca reclamou dos meus destemperos. Ele sabia quer no fundo suava engraçado. E talvez fosse essa a ideia... Também “falava francês”: “Si lá portê tivê fechê, púli pru riba”. Uma noite eu estava em sua casa, e a TV Globo exibia uma apresentação do tenor Luciano Pavaroti (é assim que se escreve?). Numa parte da música o italiano abriu muito a boca para ser mais bem ouvido, creio eu. Simplesmente Geraldo, apontando para a tela da TV, disse: “Esse rapaz errou a nota. O certo seria...”, e deu um berro que fez todos na sala cair na gargalhada. Muito sério, olhava para cada um de nós. Ele falava desviando os olhos para baixo. Depois da crise de risos, olhou pra mim e perguntou: “Tá vendo aí, meu “irmão”, como se canta?” E quem eu era para discordar do cara que estava ensinando a Pavaroti cantar... Geraldo contava uma historia que ele presenciou, ainda nos anos de 1950, em São José de Mipibú. Era época do carnaval, um amigo seu foi convidado para ensaiar marchinhas com o pessoal amigo. Acontece que o sujeito era fanho. Ele preparou a rapaziada, dizendo: “Guando eu disser guebra, guebra, guabiraba,cês diz, ‘guero vê guebrá’”. O pessoal concordou. O fanho começou: “Guebra, guebraguabiraba”. O pessoal respondeu: “Guero vê guebrá”. Furioso o homem reclamou: “Pessoal, guando eu disse, ‘guebra, guebra Guabiraba, ocês diz, ‘guero vê guebrá’. Mas num é pra dizê ‘guero vê guebrá, não!” – chico potengy



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