Graça amava
cozinhar. Exceto aos domingos. Nos nossos domingos eu ia para a cozinha ou saia
para comprar almoço. Naquele domingo, 3 de março de 1996, fui ao Paladar
Tropical, na Av. Prudente de Morais, Tirol. Havíamos acordado tarde. Não
ligamos a TV. Tomamos nosso café da manhã ouvindo música. Saí de casa sem nada
saber. Quando cheguei ao restaurante, Mônica, a proprietária, já me esperava, pois
era um cliente conhecido. Ela disse que eu ligasse para casa. Liguei um pouco
assustado. A mulher estava muito séria quando me passou o fone do estabelecimento.
Graça chorava: "Meu 'filho', aconteceu uma tragédia. O avião dos Mamonas
caiu. Todos eles morreram. Venha depressa para casa". Eu não sabia o que
dizer, se acreditava. Aqueles rapazes, que não conhecíamos, faziam parte de
minha casa. Tínhamos seu disco (de vinil e depois em CD). Minha filha, criança,
adorava, assim como nós adultos, suas aparições na TV. Eu imitava os
requebrados de Dinho. Fazia todas aquelas "macacadas". Ríamos muito.
Eles eram realmente uma parte de minha família. Por isso foi difícil acreditar
naquela perda tão brutal. Não pude deixar de escrever algo sobre eles. Foi
minha forma de agradecer os maravilhosos e divertidos momentos que
proporcionaram a minha casa. Hoje Geraldo, na TV Record, fez um resgate
daqueles dias de irreverência, de animação. Pensei muito na riqueza que eu
tive. Minha mulher, minha filha tão amada e cuidada. E de mim mesmo numa época
muito boa. É claro que estou em lágrimas... - César
Em tempo: na próxima semana publicarei aqui meu texto de despedida aos Mamonas Assassinas: "Os Mamonas do Bem".
Em tempo: na próxima semana publicarei aqui meu texto de despedida aos Mamonas Assassinas: "Os Mamonas do Bem".

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