segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

MAMONAS ASSASSINAS: 20 ANOS DE SUA PARTIDA


Graça amava cozinhar. Exceto aos domingos. Nos nossos domingos eu ia para a cozinha ou saia para comprar almoço. Naquele domingo, 3 de março de 1996, fui ao Paladar Tropical, na Av. Prudente de Morais, Tirol. Havíamos acordado tarde. Não ligamos a TV. Tomamos nosso café da manhã ouvindo música. Saí de casa sem nada saber. Quando cheguei ao restaurante, Mônica, a proprietária, já me esperava, pois era um cliente conhecido. Ela disse que eu ligasse para casa. Liguei um pouco assustado. A mulher estava muito séria quando me passou o fone do estabelecimento. Graça chorava: "Meu 'filho', aconteceu uma tragédia. O avião dos Mamonas caiu. Todos eles morreram. Venha depressa para casa". Eu não sabia o que dizer, se acreditava. Aqueles rapazes, que não conhecíamos, faziam parte de minha casa. Tínhamos seu disco (de vinil e depois em CD). Minha filha, criança, adorava, assim como nós adultos, suas aparições na TV. Eu imitava os requebrados de Dinho. Fazia todas aquelas "macacadas". Ríamos muito. Eles eram realmente uma parte de minha família. Por isso foi difícil acreditar naquela perda tão brutal. Não pude deixar de escrever algo sobre eles. Foi minha forma de agradecer os maravilhosos e divertidos momentos que proporcionaram a minha casa. Hoje Geraldo, na TV Record, fez um resgate daqueles dias de irreverência, de animação. Pensei muito na riqueza que eu tive. Minha mulher, minha filha tão amada e cuidada. E de mim mesmo numa época muito boa. É claro que estou em lágrimas... - César

Em tempo: na próxima semana publicarei aqui meu texto de despedida aos Mamonas Assassinas: "Os Mamonas do Bem".


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