Não sei quando começou e quem
inventou as chamadas listas dos melhores filmes do ano, da década, do século,
que circulam em revistas e jornais do mundo inteiro. Considero um risco ousado
fazer esse tipo de escolha entre tantas grandes obras. Costumo dizer que filme
é como perfume: agrada a uns a outros, não. Em 1995, por ocasião dos 100 Anos
do Cinema, envolvido pela "febre" das listas daquela comemoração,
tentei fazer a minha. Comecei escolhendo 850, caiu para 284, 50. Depois de
eliminar "A CALDEIRA DO DIABO" (Peyton Place, 1957), de Mark Robson,
"AMAR FOI MINHA RUÍNA" (Lave Her to Heaven, 1945), de John M. Stahl,
"ASSIM ESTAVA ESCRITO" (The Bad and the Beautiful, 1952), de Vicente
Minnelli, "A PONTE DO RIO KWAI" (The Bridge on the River Kway, 1957),
de David Lean, "GUNGA DIN" (idem, 1939), de George Stevens, "O
HOMEM QUE MATOU O FACÍNORA" (The Man Who Shot Liberty Valley Valance,
1962), de John Ford, e "TEMPOS MODERNOS" (Modern times, de 1936), de
Charlie Chaplin. Finalmente me vi diante de duas
listas com 10 filmes cada: na primeira, (1)"DOUTOR JIVAGO" (Doctor Zhivago, 1965), de David
Lean, (2)"SPLENDOR" (idem, 1988), de Ettore Scola, (3)"O HOMEM QUE QUERIA SER
REI" (The Man Who Would Be King, 1975), de Jonh Huston, (4)"OS
COWBOYS" (The Cowboys, 1972), de Mark Rydell, (5)"O HOMEM DO
SPUTINIK" (1959), de Carlos Manga, (6)"O NOME DA ROSA" (Der Name Der
Rose, 1986), de Jean-Jacques Annaud, (7)"AS FÉRIAS DO SR. HULOT" (Les
Vacances de Monsieur Hulot, 1953), de Jacques Tati, (8)"HAIR" (idem, 1979), de Milos
Forman, (9)"MEDITERRÂNEO" (Mediterraneo, 1991), de Gabriele Salvatores,
e (pasmem!) (10)"CASABLANCA" (idem, 1942), de Michael Curtiz, entre outros grandes.
Na segunda: (1)"A MONTANHA DOS SETE ABUTRES"
(Ace in the Hole ou The Big Carnival, 1951), de Billy Wilde, (2)"LAWRENCE DA
ARÁBIA" (Lawrence of Arabian, 1962), de David Lean, (3)"RASTROS DE
ÓDIO" (The Searchers, 1956), de John Ford, (4)"GLÓRIA FEITA DE
SANGUE" (Paths of Glory, 1957), de Stanley Kubrick, (5)"O DIA QUE A
TERRA PAROU" (The Day the Earth Stood Still, 1951), de Robert Wise,
(6)"OUTUBRO" (Oktyabre, 1928), de Sergei M. Eisenstein, (7)"SOCIEDADE
DOS POETAS MORTOS" (Dead Poets Society), 1989), de Peter Weir, (8)"A
BATALHA DE ARGEL" (La Battaglia di Algerie, 1965), de Gillo Pontecorvo,
(9)"CONSCIÊNCIAS MORTAS" (The Ox-Bow Incident, 1943), de William A.
Wellman, e (10)"A VIDA DE BRIAN" (Life of Brian, 1979), de Terry Jones.
Foi diante dessas duas listas que
descobri que estava cometendo um verdadeiro "massacre" cinéfilo.
Recusando cometer um crime contra a Sétima Arte, rasguei tudo e botei no lixo.
Somente um Cinéfilo Apostólico Hollywoodiano, como eu, pode perceber a dimensão
do que realmente quero dizer. - [cp]



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