No primeiro texto sobre o meu Anjo da Guarda, frisei que não me lembro
daquela experiência do choque elétrico. O acontecido que vou contar é da mesma
época. Não sei se antes ou depois. Mas, me lembro bem como foi... Enquanto
mamãe trabalhava na cozinha do "Café" eu fazia minhas
"danações" de criança. Sem maldade, é bem verdade! Costumava sentar
em um banco de madeira, postado em frente ao estabelecimento. Junto a mim, aquela
matutada, de roupas coloridas, cheirando a "Brilhantina Zezé" e "Pó
de arroz Dorli, esperando a hora de partir para suas localidades. No comércio
do Alecrim sempre se vendeu de tudo, principalmente implementos agrícolas. Por
isso o pessoal do interior se concentrava no meu bairro. Um dia, estava
sentado, vestindo um calção de flanela, enxadrezado de vermelho e branco, sem
camisa, um homem, completamente embriagado, parou a minha frente. Olhou e me
tomou nos seus braços. Encaixando suas mãos em minhas aquicilas, me jogou sobre
seus ombros e saiu me levando em direção ao "Quitadinha". Na esquina
das Ruas Augustinho Leitão com Dr. Mário Negócio, havia a Farmácia Santa
Helena. O "bêbo" entrou. Um funcionário, as pressas, foi avisar no
Café. Joquinha gritou para mamãe e saiu correndo com uma vassoura nas mãos - e
não contou conversa, baixou o cacete no homem. O bêbedo soltou minhas mãos para
se defender das pauladas. Sem nada entender, me segurei na cabeça do infeliz.
Acontece que meus pequenos braços cobriu sua visão. E haja pau! Na confusão
Joquinha acertou uma de suas pernas. Com a dor, o "sequestrador"
desabou no chão. Na queda fui amparado por uma outra pessoa. Eu tinha 2 anos.
Obrigado meu Anjo da Guarda. - fcésar

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