sábado, 18 de abril de 2015

MEU ANJO DA GUARDA II - O SEQUESTRO


No primeiro texto sobre o meu Anjo da Guarda, frisei que não me lembro daquela experiência do choque elétrico. O acontecido que vou contar é da mesma época. Não sei se antes ou depois. Mas, me lembro bem como foi... Enquanto mamãe trabalhava na cozinha do "Café" eu fazia minhas "danações" de criança. Sem maldade, é bem verdade! Costumava sentar em um banco de madeira, postado em frente ao estabelecimento. Junto a mim, aquela matutada, de roupas coloridas, cheirando a "Brilhantina Zezé" e "Pó de arroz Dorli, esperando a hora de partir para suas localidades. No comércio do Alecrim sempre se vendeu de tudo, principalmente implementos agrícolas. Por isso o pessoal do interior se concentrava no meu bairro. Um dia, estava sentado, vestindo um calção de flanela, enxadrezado de vermelho e branco, sem camisa, um homem, completamente embriagado, parou a minha frente. Olhou e me tomou nos seus braços. Encaixando suas mãos em minhas aquicilas, me jogou sobre seus ombros e saiu me levando em direção ao "Quitadinha". Na esquina das Ruas Augustinho Leitão com Dr. Mário Negócio, havia a Farmácia Santa Helena. O "bêbo" entrou. Um funcionário, as pressas, foi avisar no Café. Joquinha gritou para mamãe e saiu correndo com uma vassoura nas mãos - e não contou conversa, baixou o cacete no homem. O bêbedo soltou minhas mãos para se defender das pauladas. Sem nada entender, me segurei na cabeça do infeliz. Acontece que meus pequenos braços cobriu sua visão. E haja pau! Na confusão Joquinha acertou uma de suas pernas. Com a dor, o "sequestrador" desabou no chão. Na queda fui amparado por uma outra pessoa. Eu tinha 2 anos. Obrigado meu Anjo da Guarda. - fcésar

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