sábado, 18 de abril de 2015

NO MEIO DO CAMINHO TINHA UM GBM – O COMEÇO


Esta semana estive no Hospital da “Liga Norte-Riograndense Contra o Câncer”. É um lugar de batalhas... Cada participante com sua estratégia para vencer aquele mau... É doloroso vê-los. Alguns sem nenhuma esperança no olhar. Quase rendidos. 18 de março de 2010 foi o começo de uma dura – e desconhecida - batalha para tentar salvar minha companheira. A noite de réveillon de minha casa sempre foi diferente da Noite de Natal. Minha mulher fazia a janta e cada um se servia “americano”. Ela sempre atenciosa com todos, não perdia a “visão” da casa. Naquela noite de 31 de dezembro de 2009, era a última em que estaríamos juntos aquela festa. Jamais poderíamos imaginar. Ela estava linda, vestia uma blusa branca saudando o novo ano (eu havia lhe dado na Noite de Natal) e uma bermuda também branca e uma sandália ladrilhada. Cheia de graças, toda sorriso, o rosto com aquele intenso brilho de seu dia a dia. Recebemos gente da família e alguns amigos. Como sempre foi. Começou cedo, com mamãe. Os últimos a chegar foram irmãos, a filha mais velha com o marido e filhos. Todos se foram. Fiquei eu e ela. Graça não perdia a queima de fogos na TV. Nos dez primeiros minutos do novo ano ela sentiu uma terrível dor na cabeça. Chegou de repente. Tremeu todo o seu corpo. Corri para acudi-la. A dor não demorou mais de um minuto, mas, foi o suficiente para lhe arrancar o sorriso. Ficamos abraçados por muito tempo. E janeiro foi tomando forma. Graça passou a sentir comichão em todo seu lado esquerdo. Principalmente no braço. Sua perna também começou a desobedecê-la. Ela sentada e a perna ia para frente. Brincalhona, dizia: “Volte! Vai pra onde?”. Aqueles sintomas foram aumentando. Ela marcou um neurologista. Marcada a consulta para o dia 18 de março. Até lá Graça teve três atendimentos de emergência no Natal Hospital Center. Lá era recebida por cardiologistas, que a examinavam e a botava para tomar soro. Um dia, voltando para casa, caiu na rua. Chegou se segurando nas paredes das casas. Lutando com aquelas limitações teve como ouvir alguém dizer: “Aquela mulher está completamente embriagada”. Nossa capacidade de julgar o próximo... Um dia trabalhei na madrugada e combinei com ela que só voltaria ao meio dia. Ia ver amigos no Café São Luiz. Seis horas da manhã comecei a sentir vontade de ir para casa. Uma vontade gritante de ir para casa... Fui! Ao entrar no nosso quarto, vi Graça sentada no chão do banheiro. “Meu ‘filho’, estou aqui desde as cinco horas, não consigo me levantar”, disse. Aquele dia não foi fácil para mim. Finalmente o dia da consulta no Harmony Center. Seu genro Marcelo nos levou. Foi recomendado que ela fosse de saia ou bermuda. O médico iria examinar suas pernas. Creio que o nome do médico é Eider Lopes. Um homem de muita competência! Encheu minha mulher de eletrodos. Depois sentamos na ante-sala para aguarda um posicionamento do exame. A atendente voltou e perguntou se poderíamos aguardar por quarenta minutos. “O resultado é entregue em três dias, mas, o médico quer lhe entregar hoje”, disse a moça. Cerca de quarenta minutos depois fomos chamados a presença do médico - fez várias perguntas a Graça. Depois perguntou o quer eu era dela e quais hospitais o nosso Plano de Saúde tinha convenio. Depois de minhas respostas, ordenou: “Leve sua mulher a Promater! Dê entrada no Pronto-socorro e peça... Peça, não, exija um neurologista! O caso de sua senhora é grave. Não vou assumir porque tenho uma viagem a fazer amanhã. O caso dela é muito grave”! Assim mesmo como descrevo. Naquele momento, eu não sabia, mas, estava perdendo minha mulher... Na Promater foi solicitado um neuro. O Plano de Saúde e o Hospital não tinham convenio para aquele especialista. Dr. João Neto, médico do Plano de plantão, foi chamado e, por telefone mesmo, fez recomendações para tomografia e outros exames. Graça foi internada imediatamente. Só voltou para casa no dia 7 de maio, já cirurgiada. No dia 24 fez uma ressonância (“o pior exame que já fiz”, ela me reclamou) no Hospital da Liga. No dia 26 fez a cirurgia. Sete horas e meia de tensão. Foi direto para a UTI. Sua “recuperação” foi rápida e, para mim, animadora. Mas, desde o começo que ficou tudo muito claro: “Não há cura”! Mas acreditei que havia, sim! Ledo engano. Ainda procuro uma resposta para isso... - [Chico Potengy]


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