Esta semana estive no Hospital
da “Liga Norte-Riograndense Contra o Câncer”. É um lugar de batalhas... Cada
participante com sua estratégia para vencer aquele mau... É doloroso vê-los.
Alguns sem nenhuma esperança no olhar. Quase rendidos. 18 de março de 2010 foi
o começo de uma dura – e desconhecida - batalha para tentar salvar minha
companheira. A noite de réveillon de minha casa sempre foi diferente da Noite
de Natal. Minha mulher fazia a janta e cada um se servia “americano”. Ela
sempre atenciosa com todos, não perdia a “visão” da casa. Naquela noite de 31
de dezembro de 2009, era a última em que estaríamos juntos aquela festa. Jamais
poderíamos imaginar. Ela estava linda, vestia uma blusa branca saudando o novo
ano (eu havia lhe dado na Noite de Natal) e uma bermuda também branca e uma sandália
ladrilhada. Cheia de graças, toda sorriso, o rosto com aquele intenso brilho de
seu dia a dia. Recebemos gente da família e alguns amigos. Como sempre foi.
Começou cedo, com mamãe. Os últimos a chegar foram irmãos, a filha mais velha
com o marido e filhos. Todos se foram. Fiquei eu e ela. Graça não perdia a
queima de fogos na TV. Nos dez primeiros minutos do novo ano ela sentiu uma terrível
dor na cabeça. Chegou de repente. Tremeu todo o seu corpo. Corri para acudi-la.
A dor não demorou mais de um minuto, mas, foi o suficiente para lhe arrancar o
sorriso. Ficamos abraçados por muito tempo. E janeiro foi tomando forma. Graça passou a sentir comichão em todo seu lado esquerdo. Principalmente no
braço. Sua perna também começou a desobedecê-la. Ela sentada e a perna ia para
frente. Brincalhona, dizia: “Volte! Vai pra onde?”. Aqueles sintomas foram aumentando.
Ela marcou um neurologista. Marcada a consulta para o dia 18 de março. Até
lá Graça teve três atendimentos de emergência no Natal Hospital Center. Lá era
recebida por cardiologistas, que a examinavam e a botava para tomar soro. Um
dia, voltando para casa, caiu na rua. Chegou se segurando nas paredes das
casas. Lutando com aquelas limitações teve como ouvir alguém dizer: “Aquela
mulher está completamente embriagada”. Nossa capacidade de julgar o próximo...
Um dia trabalhei na madrugada e combinei com ela que só voltaria ao meio dia.
Ia ver amigos no Café São Luiz. Seis horas da manhã comecei a sentir vontade de
ir para casa. Uma vontade gritante de ir para casa... Fui! Ao entrar no nosso
quarto, vi Graça sentada no chão do banheiro. “Meu ‘filho’, estou aqui desde as
cinco horas, não consigo me levantar”, disse. Aquele dia não foi fácil para
mim. Finalmente o dia da consulta no Harmony Center. Seu genro Marcelo nos
levou. Foi recomendado que ela fosse de saia ou bermuda. O médico iria examinar
suas pernas. Creio que o nome do médico é Eider Lopes. Um homem de muita
competência! Encheu minha mulher de eletrodos. Depois sentamos na ante-sala
para aguarda um posicionamento do exame. A atendente voltou e perguntou se poderíamos
aguardar por quarenta minutos. “O resultado é entregue em três dias, mas, o médico
quer lhe entregar hoje”, disse a moça. Cerca de quarenta minutos depois fomos chamados
a presença do médico - fez várias perguntas a Graça. Depois perguntou o quer eu
era dela e quais hospitais o nosso Plano de Saúde tinha convenio. Depois de
minhas respostas, ordenou: “Leve sua mulher a Promater! Dê entrada no Pronto-socorro e peça... Peça, não, exija um neurologista! O caso de sua
senhora é grave. Não vou assumir porque tenho uma viagem a fazer amanhã. O caso
dela é muito grave”! Assim mesmo como descrevo. Naquele momento, eu não sabia,
mas, estava perdendo minha mulher... Na Promater foi solicitado um neuro. O
Plano de Saúde e o Hospital não tinham convenio para aquele especialista. Dr.
João Neto, médico do Plano de plantão, foi chamado e, por telefone mesmo, fez
recomendações para tomografia e outros exames. Graça foi internada imediatamente.
Só voltou para casa no dia 7 de maio, já cirurgiada. No dia 24 fez uma ressonância
(“o pior exame que já fiz”, ela me reclamou) no Hospital da Liga. No dia 26 fez
a cirurgia. Sete horas e meia de tensão. Foi direto para a UTI. Sua “recuperação”
foi rápida e, para mim, animadora. Mas, desde o começo que ficou tudo muito
claro: “Não há cura”! Mas acreditei que havia, sim! Ledo engano. Ainda procuro
uma resposta para isso... - [Chico Potengy]


Nenhum comentário:
Postar um comentário